sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Diário de viagem: a desventura

Queridos Amigos,

Cá estou novamente em Sampa, e desta vez a viagem se não foi um parto foi quase uma desventura em série. Começando em casa, numa semana atípica aconteceu de tudo: tinha trabalho para entregar no meu curso, trabalho acumulado, a TV do meu quarto deu pau, não tive tempo de arrumar a mala, foi tudo jogado lá dentro e ainda tive que comparecer em juízo no dia da viagem (às 17:30, horário combinado pra sair de casa, eu estava no fórum pedindo ao analista, minha ressalva, aff!!! Mas deu tudo certo, ou quase!), cheguei em casa esbaforida e só puxei o zíper e saí correndo.
Enfim, cheguei a tempo no Aeroporto e quando pensei que tudo daria certo, sentei-me, peguei meu livro de papel, acomodei-me e fui esperar a chamada do voo. Ele chegou? Claro que não. Às 19:30 eu perguntei pra duas senhorinhas que estavam ao meu lado o que estava acontecendo e elas responderam que o voo estava atrasado e que a previsão seria às 21:50, detalhe, eram sete e meia da noite e meu estômago já reclamava, na correria não tinha dado tempo de lanchar, apelei pro suco e pão de queijo a preço de restaurante a la carte, o preço de se comer em aeroporto. Até aí tudo bem, lanchei, liguei em casa pra dizer que estava ainda em Bsb, peguei o endereço da Tita –sei onde é, mas como explicar por taxista? Enfim, me mexi.
Às 21:50 eu já havia desistido do meu livro e estava no note book, lendo meu livro florzinha, quando uma moça que iria no mesmo vôo começou a circular pela sala de espera perguntando quem estava indo pra Guarulhos no vôo 1737 (anotem!) e quem respondia ela explicava que tinha sido adiado de novo, com previsão de chegada da aeronave em Bsb, às 23:00, entenderam? Previsão. E a gente só sabia disso pela Gol uns vinte a trinta minutos depois que a rádio corredor estava a todo vapor.
A Gol, estava distribuindo tickets para jantar e que todos nós aguardássemos a confirmação do voo. Houve passageiros que ensairam querer a devolução do dinheiro, hospedagem e os outros itens do kit de passageiro enrolado pela companhia aérea, mas a moça já foi falando que se não fossemos nesse avião, só teria vaga pra quarta-feira. A reclamação cessou geral, não sem grunhidos e com certeza jogaram uma praga na coitada. Fomos jantar. A essa altura eu já tinha feito uma amiga íntima, a Viviane e tinha vários conhecidos que sorriam ou me inclinavam a cabeça quando passava por eles. O restaurante em questão ficava do outro lado do aeroporto na Praça de Alimentação e era um Giraffa´s querendo ser chique. Pra conseguir ser atendida faltei subir na mesa e dançar o rebolation, o que não adiantou nada. Tivemos que ir ao balcão, mas até que a comida não demorou muito, estava cozida e passável. Alimentados voltamos pra sala de espera e esperamos. Nesse ínterim, achei uma revista que li, um jornal que passei os olhos, liguei em casa novamente e por fim a aeronave pousou às 23:10, quando a mocinha falou no auto falante, houve palmas e vivas por parte dos passageiros. Que horas começamos a embarcar? 23:30. Uma fila quilométrica de gente cansada, criança chorando e gente fula da vida.
Acomodados, levantamos voo à 00:10, enquanto taxiávamos pela pista percebi a fila de aviões tanto atrás como na frente, calculei o tempo e todos eles decolavam com um intervalo máximo de 2 minutos, tem noção? Havia dois aviões na nossa frente e quatro esperando depois de nós.
Bom, a viagem foi tranqüila e sem turbulência, chegamos em Cumbica 01:30 da manhã, e se vocês pensam que tudo acabou, nãnãninãnã!!! Depois que recolhemos as malas fomos atrás de translado, pois, estávamos em Guarulhos, como chegar em São Paulo aquela hora da madrugada? Se vocês acham que algum funcionário da Gol estava no desembarque para nos ajudar enganaram-se. Não havia ninguém! Pra nossa sorte a mocinha de Bsb, nos explicou o caminho das pedras e falou pra irmos ao chek in (?) e pedir que a empresa providenciasse translado pra todo mundo. E foi exatamente o que eles fizeram, juntaram pessoas com destinos comuns e gente que ia pra perto. Eu fiquei com a Alice, uma garota de São Luis, que veio a São Paulo para um congresso, ela ia pra São João e eu pro Bela Vista. Tudo perto.
Muito bem. Com o vale táxi na mão, fomos para o ponto do táxi e conseguimos um carro, já estava mais que feliz. Mas como diz Dadá Coelho: pobre quando acha um ovo, ele ta goro. O meu gorou na hora que demos o itinerário para o taxista, quando ele viu que eram duas paradas uma na São João e outra no Bela Vista, argumentou e contra argumentou, e não adiantou o rapaz afirmar que era itinerário e taxímetro ligado, o homem fez a gente sair do táxi onde já estávamos sentados, tirou nossa malas do bagageiro e pegou outros passageiros que iam para o mesmo lugar. O supervisor, então, foi lá resolver o problema. E isso eram 02:15 da manhã!!! Mooorraaaa!!! Às 02:30 o moço da Gol chegou, com um novo vale táxi e finalmente embarcamos em direção a São Paulo. Cheguei na casa da Tita às 03:15 da manhã, morta de cansada e puta.
Mas em nenhum momento perdi a paciência com funcionário ou com as pessoas que estavam ao meu lado, ninguém tinha culpa, bom, pelo menos a balconista do atendimento ou o pessoal do avião, eles eram tão vítimas quanto nós passageiros. Imagina, ter que montar uma tripulação e ir buscar 192 passageiros em um vôo bate e volta? Ninguém merece, imagina a tripulação. Era nítido na cara de todos eles que estavam tão putos quanto nós.
No meio de toda essa confusão eu só pensava no preço da passagem: R$85,00 que me custaram uma noite insana dentro de um aeroporto lotado. Ô barato que saiu caro!!!
Tomara que as próximas aventuras valham a pena.
Beijos

sábado, 24 de julho de 2010

Da vida e da morte

Da vida e da morte
Não estamos preparados para a morte. Foi essa a constatação que tive ao conversar com uma colega de faculdade que não via fazia anos. E foi ali, no meio do shopping e do barulho da praça de alimentação que ela me contou que havia perdido um filho. Às vezes, acho que sou uma das poucas pessoas que vêem na morte um acontecimento social. Sim, afora a dor, o sofrimento da família e ter alguém estirado no meio do salão, velório é evento social que como tal exige comportamento e roupa adequada. É um momento onde a família, os amigos e os penetras estão lá para celebrar a vida e se despedir de alguém. Onde experimentamos um turbilhão de emoções comandando nosso comportamento.
Estão lá os familiares conformados ou atônitos e sem chão com o ocorrido, alguns amigos tristes, outros nem tanto e os penetras que querem saber o que aconteceu. Recentemente enterrei duas amigas em menos de um mês, com a primeira, fiquei triste e foi doloroso ver os pais dela já velhinhos sentados ao lado do caixão enterrando mais um filho. Detalhe: minha amiga sofria de uma doença hereditária que já havia levado dois irmãos. Então já viu a comoção. Já a outra não me afetou tanto, durante o funeral encontrei antigos colegas de trabalho e passamos a cerimônia inteira atrás da capela relembrando os velhos tempos e nossos bons momentos juntos.
Isso me lembra uma amiga me contando que tem um primo que ela adora, mas eles só se encontram em casamentos e velórios da família, ela afirma que eles dão boas risadas e aproveitam pra colocar o papo em dia. Fiquei imaginando se eles vão dar boas risadas quando alguém muito querido for o morto da vez.
Com a minha primeira amiga, pude observar como as pessoas estavam chocadas e ouvi muitos comentários do tipo: Não sei como reagiria se minha mãe morresse ou eu enlouqueceria se isso acontecesse comigo. Ora, quando lidamos com a morte a grande questão não é se, mas quando. E mais, não existe curso com o titulo: Como perder sua mãe em 10 lições ou O que devo fazer quando alguém que eu amo morreu? Com 180 horas e certificação no final. Isso nós aprendemos na porrada e na dor.
Morrer faz parte de vida, isso é fato. E por mais antinatural que pareça, filhos morrem antes dos pais, pais morrem quando seus filhos ainda são pequenos e às vezes a morte leva dois ou mais da família de uma só vez. Meu amigo João, enterrou de uma só vez o cunhado e dois sobrinhos, minha mãe tem uma amiga que enterrou o marido e a filha no mesmo dia, e outro amigo que enterrou os pais juntos, vitimas de um acidente de transito. Se faz parte do nosso cotidiano, por que é tão difícil lidar com ela? Porque a morte escapa ao nosso controle, principalmente neste século onde a maioria das doenças são curáveis, somos limpos e asseados e temos acesso a muita informação e mais centenas de ferramentas que prolongam a vida. Nós não queremos a morte faça parte do nosso cotidiano. Percebemos que quanto mais tentamos afastá-la mais difícil fica administrar o luto quando nos deparamos com ela. Não é fugindo dela que nos manteremos a salvo. Sabe aquele ditado se correr o bicho pega... Como tudo na vida a morte tem que ser encarada de frente.
A minha amiga que perdeu o filho me contou todas as suas dificuldades: a revolta, a dor, a tristeza e a força de se levantar todos os dias e continuar vivendo. Claro, que falei de psicólogos, filmes, reforcei que respeitasse o tempo dela. No que ela me devolveu dizendo que tudo que passou e continua passando é encarado de cara limpa, pois ela se recusa a tomar qualquer coisa que aplaque sua dor. Mulher corajosa essa. Mas percebi que a dor não diminuiu ao ponto dela ver graça na vida, ainda. Paciência, o tempo dela vai chegar, eu sinceramente espero.
Recentemente revi Crepúsculo e vi uma frase que ilustra bem isso:... “morrer é fácil, tranqüilo; viver é mais difícil.” Sim, viver é muito mais difícil, continuar a andar sobre a terra, ver o sol nascer e se por, traz a tona uma série de questionamentos: Por que ele? Por que não fui eu? E agora? O que vai ser de mim? Da minha vida? Particularmente acredito que não se vive um dia a mais do que nos é proposto, não interessa se é jovem ou velho. Acreditar que além da nossa vida há algo maior e o mais importante, amar e ser amado, pela família e amigos torna essa experiência cruel, muito mais fácil. Se manter são, sóbrio e corajoso nos torna, mais fortes, mas não imunes.
A morte faz parte da vida, como reagimos a ela é o que nos diferencia e faz a vida valer a pena.
Beijos.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Como sobreviver a um incêndio em um prédio

Como sobreviver a um incêndio em um prédio
Tenha sempre em mente que quando o alarme soar, pode não ser um treinamento, mas um incêndio de verdade.
Não saia pelas escadas com carpetes ou ladeadas com vidros, tanto o carpete como o vidros são bons condutores de calor e podem pegar fogo ou explodir.
Procure as escadas de incêndio, elas estão preparadas para suportar altas temperaturas e as portas geralmente são corta-fogo.
Não entre em pânico em caso do fogo bloquear o caminho, e para não ser tragado pela multidão em pânico em caso de mudança de rota, segure-se no corrimão com sua mão direita, segure seu companheiro com a mão esquerda e cubra seu rosto com este braço e faça o caminho.
Ao chegar em um lugar seguro, aproveite e pegue tudo que você pode vir a precisar: garrafas de água, estiletes, facas, extratores de clips, aquele pedaço ferro da cadeira quebrada, kit de primeiro socorros.
Se encontrar um banheiro, entre, molhe sua roupa, seu cabelo, isso vai retardar o calor e impedir que você pegue fogo rsrsrrs, aproveite e encha suas garrafas de água, já sabe porque, não é?
Jamais use o elevador em caso de incêndio.
Use a tecnologia, com o celular fotografe o mapa do prédio, ele será o guia para se localizar e encontrar a saída e mande mensagens para parentes e amigos dando sua localização, quantos estão com você; ligações estão fora de cogitação, o barulho torna impossível ser ouvido ou falar com alguém.
Em situações assim você precisará ter espírito de equipe, escolha entre o grupo um homem de frente que será responsável de levar o grupo adiante, um navegador que com o mapa do prédio no celular dirá o caminho e o homem do final que fechará as portas e se encarregará de não deixar ninguém para trás.
Se entrar em uma sala SEMPRE feche a porta, ela impede que o fogo se espalhe para onde você está indo.
Se uma escada de incêndio está inutilizada, procure outra, prédios sempre tem duas escadas de emergência. Use o mapa que foi fotografado no celular.
Use pos-it, aqueles papeis de recado autocolantes, marque o caminho, cole-os nas paredes na altura do seu joelho com uma seta desenhada, isso será o marcador do caminho, no caso de precisar voltar, eles serão o seu guia.
Observe como o fogo se comporta, olhe os objetos durante o incêndio, se os objetos de plástico estão derretendo é sinal que o calor chegou a mais de duzentos graus.
Nunca abra uma porta de qualquer jeito, primeiro sinta se o calor chegou a porta, detalhe: sempre com o dorso da mão, esta é mais sensível e se você usar a palma, a mão pode se queimar inutilizando-a para tarefas mais importantes. Faça assim: veja se a porta está quente começando por cima até finalmente chegar ao trinco se ela estiver quente, é indicio de fogo atrás dela. Não abra, procure outra.
Durante sua fuga alguém se feriu no fogo? Remova-o, coloque-o em um lugar seguro, tire suas roupas, não arrancando, mas removendo-as cuidadosamente. Refresque os ferimentos, jogando água delicadamente; se ela queimou as mãos, enrole cada um dos dedos para que não colem enquanto espera por socorro, mantenha a vítima aquecida.
É impossível levá-lo junto e ficar com ele está fora de cogitação? Explique para seu colega que ele ficará e que só tentando sair do prédio vocês terão uma chance de escapar com vida. Deixe-o, prometendo que uma equipe virá buscá-lo assim que vocês conseguirem sair do prédio.
Se você estiver no meio de um incêndio sem ter como sair tanto pela frente com por trás, não vacile: saia pelo meio. No meio tem uma parede? Quebre-a, faça um buraco onde você possa passar, nem muito largo ou muito estreito.
No meio do fogo, arraste-se pelo chão, é ali onde ainda tem oxigênio.
Se a única chance de escapar for pelas janelas, procure aquelas que têm vidro temperado, são mais fáceis de quebrar e mais seguras.
Se tiver que descer pelas janelas, use os fios da central de informática, junte seis ou mais rolos de fios, torça-os para formar uma corda e faça uma cadeira em seu próprio corpo.
Se a única coisa que restar é pular do prédio naqueles colchões de ar, pule.
Do lado de fora avise aos parentes e amigos que você conseguiu sair e que está bem, informe aos bombeiros sobre seu colega ferido que ficou, dando a localização exata de onde ele está.
E por último; RESPIRE, fique calmo e tente lembrar de tudo isso.

sábado, 1 de maio de 2010

O texto não é meu, mas achei tão bacana que resolvi postar aqui.
Leiam, pensem e reflitam.

Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes — tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por que?

O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.

E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.

Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro — concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar. Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.

O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios — tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.

(Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo)
Beijo, povo!!!!

segunda-feira, 22 de março de 2010



Patrícia se hidratando em Pleno Campo Grande no domingão!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Precious, o filme

Ela é negra, feia, obesa mórbida e se chama Precious. Adora matemática e tem mil pensamentos guardados pra si mesma, o papel, defendido com garra por Gabourey Sidibe, atriz novata e que concorre ao Oscar de melhor atriz.
No início do filme ela mal fala, a impressão que se tem é que ela não sabe usar esta habilidade, a câmera está quase sempre fechada em seu rosto, mostrando as mil emoções que passam por ele ao ser maltratada ou ignorada. Apesar de ser imensa ela é invisível. Para a família, pra escola, para as pessoas na rua. Ela não tem amigos. Precious não existe a não ser para si mesma e na sua imaginação ela não é sem graça tampouco invisível, ela brilha.
Sua casa é sufocante mostrando a angustia de ser abusada pelo pai e pela mãe que a culpa por seduzi-lo e como castigo a força a comer para ficar cada vez mais gorda. A vontade que dá ao ver isso é de socar a mãe(Mo’nique, absolutamente convincente e maravilhosa no papel,que também concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante e levou).
Precious está esperando o segundo filho, tanto o primeiro como este são de seu pai e ela não tem perspectiva nenhuma em mudar de vida quando é expulsa do colégio onde estuda por estar grávida e acaba transferida para uma escola alternativa para ser alfabetizada. Na primeira aula a professora entrega um caderno para ser um diário onde ela vai escrever tudo que lhe vier à cabeça. É ai que começa a transformação; timidamente Precious começa a se descobrir, sua voz começa a ser ouvida, seu sorriso aparece, ela é capaz de brincar com as colegas e a entender o que aconteceu com ela. A cena em que ela diz a mãe com todas as letras que foi violentada enquanto que o traste da mãe grita que ela roubou o seu homem é absolutamente horripilante.
Diferente de sua casa que é lúgubre, escura e triste todos os lugares por onde ela circula são claros e em alguns momentos alegres, mesmo a sala de aula que mostra as histórias tristes de suas colegas tem um quê de aconchego. Tal efeito visa mostrar que ela está segura em muitos lugares, menos onde realmente importa.
Com a chegada do segundo filho ela tem a chance de dar sentido a sua vida. Abdul nasce e são suas amigas da escola, o enfermeiro que fez seu parto e a professora que estão presente e lhe fazem companhia, a impressão que se tem é que é outra Precious, sorridente, confiante e ciente do que precisa ser feito.
O filme é maravilhoso e não tem final feliz, tampouco triste, eu diria que é como a vida da gente: somos mais um na multidão, mas é preciso ter o nosso próprio diário para escrever as nossas aventuras para depois ler e constatar que nossa vida não é e não foi em vão.
Precious com certeza vale o ingresso.
Como ainda não sei postar vídeo no Blo, mando o link do Youtube pra vcês assistirem o trailler.
www.youtube.com/watch?v=b5FYahzVU44

Pra não dizer que eu estava mentindo, olha os nossos pés e os da Dani.
Em sentido horário: Luana, Dani, Patrícia, eu, Carina e Rafael.